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ONU troca tanques por livros de autoajuda no Haiti e internet explode: 'Missão de paz virou curso de liderança'

Enquanto o país mergulha no caos, brasileiros vendem '7 lições de liderança' e chadianos desembarcam para nova novela azul-helmo

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ONU troca tanques por livros de autoajuda no Haiti e internet explode: 'Missão de paz virou curso de liderança'
Imagem: Wikimedia Commons

Se você achava que a novela haitiana tinha acabado em 2017, prepare a pipoca: o Conselho de Segurança da ONU acabou de criar mais uma missão política para substituir a operação policial no país, e os primeiros soldados chadianos já desembarcaram para o que promete ser mais uma temporada de peacekeeping sem paz. A internet, é claro, não perdoou: enquanto isso, o Quênia teve seu envio de forças bloqueado pela própria Justiça, provando que até em missão de estabilização a burocracia encontra jeito de instabilizar tudo.

Do terremoto ao bestseller: a indústria da lembrança

O povo haitiano, que já viu a MINUSTAH deixar para trás cólera, mortes em Cité Soleil e promessas não cumpridas, agora assiste ao espetáculo de ex-comandantes virarem autores. O Ministério da Defesa brasileiro lançou com pompa o livro "Missão Haiti — 7 lições de liderança", como se 13 anos de ocupação tivessem sido um retiro corporativo com direito a churrasco na Porto Príncipe. Nas redes, a pergunta que não quer calar: será que uma das lições é "como transformar esgoto de base militar em epidemia e sair impune"?

A memória de Janklod, mártir haitiano, ganhou espaço em publicações progressistas enquanto ex-chefes militares da missão — como Augusto Heleno, que comandou as tropas em 2004 — viram seus nomes associados a outras bandeiras, como mandados coletivos no Rio de Janeiro. A ironia é que o mesmo general que patrulhou favelas caribenhas agora defende métodos similares em favelas cariocas, e ainda por cima virou best seller em livros de defesa.

Entre a chegada dos chadianos, a Justiça queniana barrando tropas e o Brasil transformando intervenção em material de coaching quântico, uma coisa é certa: para o haitiano comum, a única lição de liderança que realmente importa é como liderar sua própria sobrevivência enquanto a comunidade internacional troca de roupa azul-helmo e continua sem ouvir o senado haitiano, que já em 2013 exigia o fim da ocupação. Mas quem liga para voto unânime de senador quando dá para escrever livro?

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