ONU no Haiti: de 'missão de paz' a piada de mau gosto nas redes
Internautas não perdoam: enquanto tropas desembarcam, população pergunta se é remake de filme de terror
Se depender do Twitter, a ONU deveria pedir desculpas antes de pedir passaporte. A chegada de soldados chadianos ao Haiti, liderados por uma força apoiada pela organização, virou combustível instantâneo para a memória coletiva da internet — e dessa vez, ninguém está deixando passar batido. A MINUSTAH já foi, mas os memes são eternos. Ou, pelo menos, a indignação.
A MINUSTAH, encerrada em 2017 após 13 anos de operação comandada em grande parte pelo Brasil, deixou um rastro de controvérsias que os haitianos e os teclados do mundo não esquecem. Cólera introduzida por esgotos de base militar, abusos contra civis, repressão de protestos democráticos — a lista é extensa o suficiente para fazer qualquer defensor da nova missão suar frio. Nas redes, a pergunta que não quer calar: "Essa é a versão remasterizada ou vai ter conteúdo novo?"
Quando a Justiça fala antes da ONU ouvir
A ironia atingiu níveis quase artísticos quando a Justiça do Quênia bloqueou o envio de forças ao Haiti em missão aprovada pela própria ONU. Sim, você leu certo: um país africano teve que lembrar à organização mundial que existe uma coisa chamada procedimento legal. O episódio virou manchete em portais de todo o mundo e, claro, motivou nova leva de piadas sobre a eficiência da diplomacia internacional. "A ONU aprovou, o Quênia vetou, e o Haiti continua esperando", resumiu um usuário.
Entre acusações de ocupação disfarçada e promessas de ajuda que nunca colaram, a população haitiana segue no centro de um tabuleiro onde as peças se movem sem sua permissão. A nova missão, mais policial e menos militar, tenta apagar a marca da anterior — mas na era das redes sociais, o print é eterno. E o público, cada vez menos tolerante com narrativas de "salvamento civilizacional", está de olho.
Comentários (0)
Entre para comentar.
Seja o primeiro a comentar.