Hexatombe: Como Cellbit transformou RPG em febre nacional e salvou vidas — literalmente
Spin-off de Ordem Paranomal viraliza nas redes, arrasta fãs para doação de sangue e prova que nerdice pode ser coisa séria
Rafael Lange Severino, o Cellbit, conseguiu o que poucos mestres de RPG sonham: transformar uma campanha de mesa em fenômeno de massa, produto audiovisual e — pasme — ferramenta de saúde pública. O spin-off Ordem Paranormal: Hexatombe não é apenas mais uma temporada do universo que ele constrói desde 2020; é, segundo a Nerdweek, um "novo nível cinematográfico" que faz o anterior parecer ensaio de escola.
O sucesso foi tão estrondoso que o Grupo Farol entrou como coprodutor, levando o projeto das mesas de jogos para algo com ares de produção profissional. De enigmático youtuber de Minecraft a império transmídia em menos de uma década: eles crescem tão rápido. O Observatório de Games registrou a movimentação como prova de que o mercado brasileiro de conteúdo geek deixou de ser território de nicho para virar filão.
Sangue nos olhos — e nos bancos de hemocentros
Mas a verdadeira façanha de Hexatombe está fora das telas. O termo virou "hit do fim de semana", segundo a NSC Total, por mobilizar fãs para doação de sangue em escala inédita. Campanhas como a registrada pelo Portal ABC do ABC mostram jogadores abandonando os dados para encher bolsas em hemocentros. Sim, o mesmo público que passa madrugadas lançando D20 resolveu fazer algo útil à humanidade. A ironia é deliciosa: enquanto políticos desperdiçam milhões em campanhas publicitárias falidas, um streamer de 29 anos com tatuagem de arrependimento consegue o que o SUS não consegue sozinho — engajar jovens na solidariedade.
A estratégia de Cellbit sempre foi construir comunidade antes de vender produto. Desde o financiamento colossal de Enigma do Medo, que arrecadou mais de R$ 4 milhões em 2018, ele entendeu que seu público não consome passivamente: participa, investe, se apaixona. Agora, com Hexatombe, essa relação evoluiu para algo quase terapêutico. Ou talvez seja apenas que, enfim, alguém descobriu que nerds também têm sangue — e estão dispostos a compartilhá-lo.
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