De volta ao Haiti: ONU troca tanques por policiais e internet explode em memes de déjà vu
Nova missão no país caribenho reacende debate sobre intervenções passadas e gera avalanche de comentários nas redes: 'Será que dessa vez vai?'
Se a internet tivesse um botão de "sentimento", a hashtag #Haiti estaria travado entre "preocupado" e "indignado desde 2004". A notícia de que o Conselho de Segurança da ONU criou uma nova missão política para substituir a operação policial no Haiti caiu como bomba nas redes — e metade dos usuários já sacou os templates de meme do armário. Afinal, quem viveu a era MINUSTAH sabe: promessa de estabilização no país caribenho tem mais reprise que novela das seis.
A reação mais honesta veio de quem lembra que a missão anterior, encerrada em 2017, deixou um rastro de controvérsias que fariam até reality show envergonhado. Epidemia de cólera, denúncias de abuso, invasão violenta de bairros pobres — e o famigerado pedido do senador Jean Charles Moise ao Brasil: "troquem seus tanques de guerra por tratores agrícolas". Nas redes, o comentarista médio resume: "A ONU voltando pro Haiti é tipo ex que aparece dizendo 'mudei'".
O que mudou? Juízes no lugar de fuzileiros — teoricamente
A nova configuração, ao menos no papel, promete focar no treinamento policial e fortalecimento institucional — uma mudança de guarda que fez alguns otimistas digitarem "será?" com mais interrogações que o normal. Mas o ceticismo ganha fôlego quando se lembra que a MINUJUSTH, criada em 2017 para justamente essa função, já tinha o mesmo discurso. Enquanto isso, a Justiça do Quênia bloqueou o envio de forças à missão aprovada na ONU, provando que nem todo mundo topa o roteiro de filme já visto.
Do lado brasileiro, a nostalgia é particularmente incômoda. Com 36 mil militares enviados em 13 anos e 24 mortes — incluindo 18 no terremoto de 2010 —, o Brasil tem o que diplomatas chamam de "bagagem" e tuíteiros chamam de "trauma coletivo". O lançamento recente do livro Missão Haiti: 7 lições de liderança pelo Ministério da Defesa foi recebido com piadas do tipo: "Lição número um: não vai".
No fundo, a repercussão digital revela uma verdade que os comunicados oficiais evitam: para o haitiano comum e para o observador casual, nova missão da ONU soa menos como esperança e mais como promessa de temporada extra de série que já devia ter acabado. A pergunta que domina os comentários não é "vai dar certo?", mas "quanto tempo até a próxima epidemia, escândalo ou pedido de saída antecipada?". No Haiti, a paciência com a comunidade internacional esgotou há décadas. Nas redes, pelo menos, a paciência com a ONU durou exatamente o tempo de ler o headline.
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