Conspiração Póstuma: Boato Inventa que Oliver Tree Foi 'Marcado' pelos Illuminati Antes de Acidente
Checagem desmonta narrativa fantasiosa de ameaças de morte e contrato sangrento; vídeo real trata apenas de desentendimentos contratuais com gravadora.
A imaginação coletiva das redes sociais parece sofrer de uma criatividade desenfreada, especialmente quando tragédias reais oferecem o palco perfeito para roteiros de filmes B. Após o falecimento do cantor norte-americano Oliver Tree em uma colisão de helicópteros no Rio de Janeiro, circularam posts alegando que o artista havia previsto seu próprio fim com precisão sobrenatural. A narrativa, digna de um thriller de baixo orçamento, sustentava que Tree teria relatado em vídeo ter sido abordado pelos míticos Illuminati, recebido uma proposta de "contrato com sangue" e, após recusar, sido sentenciado a apenas duas semanas de vida. O único problema nessa equação dramática é que a realidade, essa chatice que insiste em existir, diz exatamente o contrário.
O vídeo existe, mas a conspiração é pura ficção
A filmagem usada como "prova" desses delírios coletivos está disponível nas plataformas do artista desde 1º de abril. Nela, Oliver Tree discute, de fato, problemas burocráticos com a gravadora Atlantic Records e anuncia que o álbum Love You Madly, Hate You Badly não seria lançado por eles. Em nenhum segundo do material o músico menciona ameaças de morte, seitas secretas ou prazos fatais. A própria Reuters vasculhou os arquivos e não encontrou qualquer registro do cantor sobre supostas intimidações. A ironia é que, dias depois do vídeo, ele lançou o disco de forma independente e seguiu para uma turnê no Brasil, apresentando-se em São Paulo antes de seguir para o Recreio dos Bandeirantes, onde o destino o aguardava de forma menos teatral e mais trágica.
O acidente, que vitimou Tree e outras cinco pessoas, teve suas causas encaminhadas para investigação pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Enquanto a ciência trabalha para entender a colisão entre as aeronaves, a desinformação prefere culpar entidades místicas para dar sentido ao caos. O corpo do artista já foi repatriado aos Estados Unidos, encerrando tragicamente sua jornada, mas deixando vivo o gosto amargo de como a ficção tenta, desesperadamente, reescrever fatos concretos. O veredito é claro: a história do contrato sangrento é tão falsa quanto a promessa de vida eterna dos conspiracionistas.
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