Céu do Rio vira palco de tragédia: Oliver Tree e Gaspi morrem em colisão de helicópteros
Acidente no Recreio dos Bandeirantes ceifa seis vidas, transforma concessionária em crematório e deixa autoridades com a difícil tarefa de explicar o inexplicável.
O domingo começou com um roteiro digno de filme catástrofe no Recreio dos Bandeirantes. Por volta das 9h, dois helicópteros decidiram que voar separadamente era entediante e colidiram em pleno ar, transformando a manhã carioca em um espetáculo de fogo e destroços. Testemunhas, que provavelmente só queriam um café tranquilo, relataram um "barulho terrível" seguido de explosões que fizeram o chão tremer. A auxiliar Valnice Nascimento descreveu a cena macabra de ver as aeronaves despencando simultaneamente, enquanto a psicóloga Cecília Mesquita confirmou que a fumaça tomou conta da região num instante, provando que a física não perdoa erros de cálculo.
Estrelas Apagadas e Carros Virando Cinzas
A colisão foi democraticamente fatal para todos a bordo e generosamente destrutiva para o solo. Um Eurocopter AS 350 B2, o popular "Esquilo", escolheu o pátio de uma concessionária da BYD na Avenida das Américas como local de pouso forçado. O impacto foi tão vigoroso que incinerou pelo menos 20 carros elétricos novos, provando que bateria de lítio e querosene de aviação não se misturam bem. O segundo helicóptero, um Bell 206B, teve a "sorte" de cair próximo sem pegar fogo, mas deixou seu piloto preso nas ferragens com o trem de pouso para cima, numa ironia visual de gosto duvidoso.
O saldo humano é a parte menos cômica dessa equação trágica. No helicóptero que virou bola de fogo estavam o cantor americano Oliver Tree, famoso por seus hits e visual excêntrico; o youtuber argentino Gaspar Prim Díaz, o Gaspi; o produtor Lucas Frota; e o diretor Lucas Vignale. Na outra aeronave, o piloto Charles Marsillac também não sobreviveu, assim como Alexandre Souza, que comandava a aeronave principal. A Polícia Civil alertou que a identificação oficial depende de perícia, dado o estado carbonizado dos corpos, um detalhe que dispensa maiores descrições.
"Foi um barulho terrível. Imediatamente, todo mundo começou a ver fogo, fumaça...", resumiu Cecília Mesquita, capturando a essência do caos instalado.
Enquanto os escombros esfriam, a burocracia aeronáutica aquece os motores. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) assumiu a missão ingrata de decifrar como duas máquinas voadoras ocuparam o mesmo espaço no mesmo tempo. Paralelamente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) verifica se a papelada estava em dia. No asfalto do Rio de Janeiro, resta o silêncio pesado e a certeza de que o céu, hoje, cobrou seu preço mais alto.
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