Tufão no Japão deixa feridos e causa apagão em milhares de casas
Tempestade atingiu o país asiático e evidenciou a intensidade da Bacia do Noroeste do Pacífico, região mais ativa do planeta na formação de ciclones tropicais.
Revisado por Henrique Salles · Editado por Vinícius Castro
A passagem de um tufão pelo Japão resultou em feridos e provocou interrupção no fornecimento de energia elétrica em milhares de residências. O evento evidenciou a vulnerabilidade das nações costeiras diante dos ciclones tropicais e chamou atenção para a intensidade característica da Bacia do Noroeste do Pacífico. Considerada a região mais ativa do planeta na formação desses fenômenos, ela responde por quase um terço dos ciclones tropicais anuais em escala mundial. Diferentemente do que ocorre no Oceano Atlântico ou no nordeste do Oceano Pacífico, onde as tempestades recebem a denominação de furacão, no noroeste do Pacífico o termo regional adotado é tufão.
Mecanismo de formação e nomenclatura dos ciclones
O sistema de nomenclatura dessas tempestades segue uma estrutura rigorosa e envolve 18 países que possuem territórios ameaçados anualmente pelos fenômenos. A lista de nomes principais é coordenada sob a supervisão do Centro Meteorológico Especializado Regional, sediado no Japão, enquanto outros centros de alerta para o noroeste do Pacífico operam no Havaí, nas Filipinas e em Hong Kong, como o Joint Typhoon Warning Center. A própria origem da palavra tufão reflete uma herança linguística complexa, registrada no Oxford English Dictionary, que cita contribuições do urdu ṭūfān e do chinês tai fung, com formas antigas em inglês documentadas já em 1588 e variações posteriores influenciadas por ambas as línguas.
Especialistas meteorológicos observam que a região não possui estações oficiais de tufões, de modo que os ciclones tropicais podem se formar ao longo de todo o ano, embora a maior concentração ocorra entre junho e novembro. As condições necessárias para o desenvolvimento incluem temperaturas elevadas da superfície do mar, instabilidade atmosférica, alta umidade nos níveis baixos e intermediários da troposfera, efeito Coriolis suficiente para desenvolver centros de baixa pressão, perturbações pré-existentes de baixo nível e baixo cisalhamento vertical do vento. A capacidade da bacia de gerar múltiplas tempestades simultaneamente ficou patente em 7 de agosto de 2006, quando três ciclones tropicais ativos — Maria, Bopha e Saomai — coexistiram no Oceano Pacífico Ocidental.
As Filipinas costumam receber o maior impacto das tempestades que atingem terra firme, com China e Japão sendo afetados em menor medida, embora o sul da China detenha o maior registro histórico de impactos, documentado ao longo de mil anos. Taiwan já registrou o tufão mais chuvoso entre todos os observados na bacia do noroeste do Pacífico. A exposição frequente a esses fenômenos traz consequências sanitárias graves: após a passagem do Tufão Tino, a província de Negros Ocidental, nas Filipinas, enfrentou um surto de leptospirose, doença transmitida pela água contaminada com urina de roedores — um efeito frequentemente associado aos alagamentos provocados pelas tempestades.
A cultura popular também registra a presença desses fenômenos de diferentes maneiras. O cinema produziu obras como O Tufão, de 1937, referência que ilustra a longa trajetória dessas tempestades no imaginário coletivo. No Brasil, o termo apareceu em contextos variados, como na novela Avenida Brasil, na qual personagens como Carminha e Jorginho protagonizaram cenas de grande repercussão, e na política, com o vereador Diogo Tufão, que teve projetos de denominação de praça e campo esportivo aprovados na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia. Já no Pacífico Sul e no Oceano Índico, o mesmo tipo de fenômeno recebe a designação técnica de ciclone tropical.
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