Robô 'empresta' pernas de fisioterapeuta para pacientes após AVC e internet já quer encomendar um para a reunião de família
Sistema TEPI viraliza nas redes com misto de admiração tecnológica e piadas sobre 'alugar' membros do corpo alheio.
A ciência finalmente decidiu que fisioterapeutas mereciam um upgrade de superpoderes. Na última quarta-feira, a revista Science Robotics publicou o sistema TEPI — sigla que, traduzida do inglês, soa como se alguém tivesse batido três teclas do teclado com o cotovelo, mas que significa algo bem mais elegante: interação terapeuta-exoesqueleto-paciente. A novidade? Dois robôs vestíveis, um para o profissional e outro para quem sofreu AVC, conectados por software que transforma o movimento do especialista em força orientadora para as pernas travadas do paciente.
O conceito é genial na sua simplicidade mecânica e perturbadoramente bizarro na sua intimidade corporal. Enquanto o terapeuta flexiona joelho e quadril, o paciente sente o impulso. Enquanto o paciente resiste ou flui, o terapeuta recebe retorno tátil. Os dois, literalmente, sentem um o outro andar. Helder Picarelli, neurocirurgião do Icesp e pós-doutor pela Unifesp, resume a mágica: o sistema transmite "expertise motora" como quem compartilha arquivo por Bluetooth — só que aqui o arquivo é o jeito de caminhar de um ser humano.
Da admiração às piadas: o que as redes estão dizendo
Nas redes, a notícia explodiu com aquele tom característico de quem não sabe se aplaude ou se assusta. Há quem celebre a precisão robótica finalmente subordinada à sensibilidade humana, em vez do contrário. E há quem já imagine filas de brasileiros querendo "alugar" as pernas de fisiculturistas para subir escadas em prédios sem elevador, ou os braços de colegas de trabalho para digitar relatórios de segunda-feira. A ideia de emprestar movimentos despertou o humor morbido usual da internet: se o terapeuta tiver cólica, será que o paciente sente?
O estudo, vale lembrar, foi modesto — oito pacientes, uma sessão de meia hora cada. Os resultados foram promissores: passos mais longos, pés mais elevados, amplitude superior à fisioterapia convencional. Mas os autores admitem que não sabem se os ganhos duram. E adicionam o obstáculo brasileiro clássico: o sistema exige dois exoesqueletos, profissionais treinados e recursos que o SUS, infelizmente, ainda não imprime em casa. Picarelli pede cautela. A internet, como sempre, já encomendou três unidades e uma versão para fazer polichinelo.
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