Promessa em campo e cromado no álbum: Endrick divide opiniões entre Wembley e o banco
Aos 19 anos, atacante acumula altos e baixos entre Real Madrid, Lyon e Seleção Brasileira, mas garante lugar ao lado de Neymar no álbum da Copa
Revisado por Otávio Beltrão · Editado por Gabriel Furtado
O futebol brasileiro tem esse talento curioso de fabricar prodígios em série: o moleque chuta bem na base, aparece num vídeo viral e pronto, já tem gente gritando que a nova joia chegou. Endrick Felipe Moreira de Sousa entrou nessa engrenagem lá pelos seus dez aninhos, quando o Palmeiras decidiu que aquele garoto de Taguatinga valia uma semana de testes. O pai, Douglas Ramos, espalhava gols do filho no YouTube e tentava a sorte nos grandes clubes. O São Paulo quase ficou com o menino, mas torceu o nariz quando o patriota pediu emprego e moradia — vacilo que o Verdão não cometeu, oferecendo uma vaga de auxiliar de limpeza e um lugar no sub-11. A professora Marília Rocha, da escolinha onde o craque deu os primeiros chutes, avisou à ESPN Brasil que via algo fora do comum naquela criança de quatro anos. O tempo confirmou: 161 gols em 188 jogos pelas categorias de base e uma Copa São Paulo de Futebol Júnior inédita para o clube aos quinze anos.
O Real Madrid comprou a aposta em dezembro de 2022, mas a burocracia mandou o garoto esperar até os dezoito para vestir a camisa merengue, o que só aconteceu em julho de 2024. A vida no Santiago Bernabéu, porém, não veio com manual de instruções. Na temporada 2025-26, as oportunidades minguaram, e em dezembro de 2025 o clube espanhol decidiu que o centroavante precisava de ar fresco: emprestou-o ao Lyon, da França. Pelo time francês, o atacante respirou melhor — anotou oito tentos em 21 partidas até maio de 2026. Os números contrastam com os sete gols em 40 jogos pelo Real Madrid, perfazendo um total de 36 balançadas em 143 aparições na carreira profissional.
Da glória em Wembley ao banco na Copa
Pela Amarelinha, o atacante não demorou a aparecer. Estreou em novembro de 2023 e, em março de 2024, calçou o lendário gramado do Estádio de Wembley contra a Inglaterra para marcar seu primeiro gol com a seleção principal. O caminho até a Copa do Mundo, contudo, reservou um roteiro cheio de reviravoltas. Carlo Ancelotti, comandante da Seleção na competição, deixou o jovem no banco na partida de estreia — uma escolha que renderia manchetes sobre uma mensagem direta e explicações necessárias nos sites especializados. Quem correu para amenizar o clima foi ninguém menos que Ronaldo Nazário, que defendeu o garoto com uma frase curta e direta, declarando que o moleque estava pronto para a encarar o desafio.
Enquanto a carreira oscila entre titularidade na França e reservas em mundiais, o mercado editorial resolveu dar sua própria versão do que importa. A Panini, eterna guardiã dos álbuns de figurinha, confirmou que Endrick integra o set de atualização do álbum oficial da Copa — e não sozinho. O atacante divide o espaço cromado com Neymar, o eterno protagonista da Seleção, em cromos que já circulam nas redes e despertam a cobiça dos colecionadores. Portais como ge, Terra e CNN Brasil noticiaram a novidade, tratando o papel brilhante como uma pequena vitória num ano de tantos altos e baixos.
A real é que o garoto, que completou 19 anos em julho de 2026, ainda não sabe direito onde firmará pé como titular absoluto. O vínculo com o Real Madrid segue ativo, o empréstimo ao Lyon segue em curso, e a torcida brasileira mantém aquele misto de fé e ansiedade que só quem vestiu amarelo consegue cultivar. Pelo menos no álbum de figurinhas, o lugar está garantido — e ao lado de Neymar, nada menos. No campo de verdade, a bola está com os técnicos, que, pelo visto, ainda precisam de mais aval de fenômenos para se decidirem.
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