PNUD viraliza nas redes e brasileiros descobrem que o país finalmente virou 'primeiro mundo' — pelo menos no papel
Enquanto a ONU elogia o Brasil pelo melhor IDH da história, internautas debatem se desenvolvimento humano paga boleto no fim do mês.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento resolveu dar um presente de grego aos brasileiros e anunciou que o país finalmente entrou para o clube seleto de nações com muito alto desenvolvimento humano. A notícia, veiculada por veículos como o GOV.BR e até o Sindicato dos Bancários, foi recebida com aquela mistura típica nacional de orgulho contido e desconfiança crônica. Afinal, quando o prêmio chega sem convite prévio, o brasileiro já sabe que tem letra miúda.
O responsável pela festa, segundo as fontes oficiais, seria o Bolsa Família, programa que conseguiu elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do país a patamares inéditos. Nas redes, a reação foi imediata: enquanto uns comemoraram com memes de "somos primeiro mundo", outros apontaram que o IDH não inclui itens essenciais da rotina nacional, como filas de banco, preço da gasolina e a eterna espera pelo INSS. O Achim Steiner, administrador do PNUD desde 2017, deve estar orgulhoso — ou pelo menos tão confuso quanto nós.
Entre a ONU e o bolso: a fenda que as redes não perdoam
Paralelamente, o PNUD segue multitareando pelo planeta: lançou títulos verdes com a CAF, calculou sete anos para limpar os escombros da Faixa de Gaza, firmou parceria com a Hyundai e ainda encontrou tempo para alertar que os jovens são o maior grupo em situação de pobreza no mundo — o que, convenhamos, soa como uma piada cruel para quem acabou de descobrir que vive num país de "muito alto" desenvolvimento. A igualdade de gênero, por sua vez, virou aceleradora da economia global, segundo outro relatório da agência.
O curioso é que, enquanto o Brasil ascende no ranking, o PNUD também atua em lugares como Cabo Delgado, financiando reconstrução com a BAD. A agência de Nova York parece ter o dom de estar em todos os lugares certos e errados simultaneamente. Para o público brasileiro nas redes, resta o eterno dilema: comemorar o troféu ou cobrar o salário mínimo compatível com ele. Desenvolvimento humano, afinal, não paga conta de luz — embora, segundo a ONU, esteja mais próximo disso do que nunca.
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