Jornalismo

Perplexity AI: buscador avaliado em US$ 3 bilhões une investidores de peso e gera atrito com a imprensa

Startup fundada em 2022 por ex-funcionários de OpenAI e Meta captou US$ 165 milhões com nomes como Jeff Bezos e Nvidia, mas enfrenta acusações de plágio e de descumprimento de protocolos de bloqueio na web

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A Perplexity AI consolidou-se como uma das startups mais comentadas no campo da inteligência artificial. Criada em 2022 por Aravind Srinivas, Denis Yarats, Johnny Ho e Andy Konwinski — profissionais com trajetória em OpenAI, Meta, Quora e Databricks —, a empresa oferece um buscador conversacional que emprega modelos de linguagem para elaborar respostas acompanhadas de citações de páginas da internet. O produto funciona em formato freemium: enquanto a versão gratuita usa o modelo próprio da empresa, a assinatura Perplexity Pro libera acesso a sistemas como GPT-4, Claude 3.5 e Llama 3. No primeiro trimestre de 2024, a plataforma já contava com 15 milhões de usuários ativos por mês.

Aporte milionário e controvérsias com veículos jornalísticos

O impulso financeiro da startup chamou atenção no mercado. Com US$ 165 milhões captados até 2024, o valor de mercado da empresa saltou de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões em questão de meses. O rodada atraiu figurões da tecnologia, incluindo Jeff Bezos, da Amazon; a Nvidia; Jeff Dean, à frente do Google AI; Yann LeCun, cientista-chefe de IA do Facebook; e Andrej Karpathy, anteriormente ligado à Tesla. O rápido avanço, porém, trouxe problemas. Em junho de 2024, a revista Forbes denunciou a Perplexity por veicular um texto que reproduzia trechos extensos de uma reportagem exclusiva sem dar os devidos créditos. Srinivas admitiu falhas na ferramenta, porém defendeu que a empresa apenas compila dados, negando intenção de plagiar.

As críticas se avolumaram quando a revista Wired e o programador Robb Knight apontaram que a empresa utilizava endereços de IP ocultos e identificadores falsos para ignorar o protocolo robots.txt, mecanismo que permite a sites restringirem o acesso a rastreadores automáticos. Srinivas rebateu as acusações, atribuindo a prática a um provedor terceirizado de coleta de dados. Por conta das acusações, a Amazon Web Services, responsável por hospedar a estrutura de varredura da startup, abriu uma investigação interna sobre o caso. Em julho de 2024, buscando contornar a crise com o setor midiático, a Perplexity apresentou um programa de repasse de receita publicitária para parceiros editoriais, uma tentativa de estabelecer uma convivência mais estável com os produtores de conteúdo.

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