Operação na Alerj investiga deputado suspeito de ligação com o Terceiro Comando Puro
Val Ceasa é acusado de movimentar R$ 13 milhões e integrar esquema da facção para expulsar moradores de comunidades no Rio
O deputado estadual Val Ceasa tornou-se foco de uma operação deflagrada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que apura seu suposto vínculo com o Terceiro Comando Puro, atualmente a segunda maior organização criminosa fluminense e a terceira mais poderosa do país. Conduzido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, o inquérito revelou que o parlamentar movimentou cerca de R$ 13 milhões, valor bastante superior aos pouco mais de R$ 1 milhão declarados em seu patrimônio. O político nega qualquer irregularidade e sustenta a tese de que sofre perseguição política.
Da dissidência criminosa à expansão nacional
Fundado em 25 de fevereiro de 2002, o TCP emergiu após o rompimento do extinto Terceiro Comando, movimento articulado por criminosos como Facão e Robinho Pinga. A adição do termo "Puro" à sigla funcionou como uma marca de identidade para demarcar a separação de antigos aliados, sobretudo após uma rebelião no sistema prisional que culminou na morte de lideranças rivais. Diferentemente do Comando Vermelho, a facção opera com uma estrutura descentralizada, na qual cada chefe de comunidade detém autonomia para administrar seus territórios sem prestar contas a uma cúpula unificada.
A abrangência do grupo ultrapassou as fronteiras fluminenses e hoje registra presença em unidades federativas como Ceará, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. A facção estabeleceu alianças com o PCC, ou Primeiro Comando da Capital, enquanto sustenta disputas armadas com o CV e o grupo Amigos dos Amigos em diversas regiões. No Rio, a organização ganhou notoriedade ao adotar símbolos vinculados ao judaísmo, como bandeiras e estrelas de seis pontas, especialmente no Complexo de Israel, área formada por comunidades como Parada de Lucas, Cidade Alta e Vigário Geral, sob o domínio do traficante Peixão.
"Um dos esquemas investigados envolve a remoção forçada de famílias de áreas controladas pela facção, prática que teria financiado um padrão de vida elevado, com viagens ao exterior, por parte de um dos suspeitos."
As investigações que recaem sobre o parlamentar indicam sua possível participação em um arranjo criminoso voltado à remoção forçada de moradores de comunidades dominadas pela facção. Documentos do inquérito sugerem que um dos envolvidos no esquema exibia um padrão de vida compatível com viagens internacionais e bens de luxo. A ação reforça a preocupação das autoridades com os laços cada vez mais nebulosos entre representantes eleitos e organizações criminosas no estado.
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