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ONU troca tropas por juízes no Haiti após 13 anos de missão polêmica comandada pelo Brasil

Substituta da MINUSTAH abandona componente militar para focar em treinamento de policiais e fortalecimento institucional

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ONU troca tropas por juízes no Haiti após 13 anos de missão polêmica comandada pelo Brasil
Imagem: Wikimedia Commons

O Conselho de Segurança das Nações Unidas determinou em meados de 2017 o encerramento da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), concluindo formalmente as atividades no dia 15 de outubro daquele ano. A resolução encerrou uma das intervenções mais prolongadas e debatidas da Organização das Nações Unidas, conduzida sob liderança do Brasil desde a mobilização inicial, em 2004.

Nova fase sem soldados marca ruptura com modelo anterior

No lugar da operação militar, foi instalada a Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH), com estrutura dedicada à assistência técnica. O formato dispensou o envio de batalhões armados e priorizou o aperfeiçoamento das forças de segurança locais e a reestruturação do aparato estatal. A equipe passou a ser formada essencialmente por especialistas em direito, agentes diplomáticos e policiais civis.

A criação da MINUSTAH respondeu à crise política deflagrada após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide. Diante da escalada de conflitos, o mandato autorizou o deslocamento de uma força internacional para conter a violência. Ao longo de mais de uma década, o efetivo brasileiro somou cerca de 36 mil militares enviados ao país caribenho, consolidando o papel de comando exercido pelas Forças Armadas da nação sul-americana.

O saldo da operação divide opiniões e carrega polêmicas severas. Acusações de uso excessivo de força e envolvimento em repressão política mancharam a imagem da missão. O episódio mais grave ocorreu em 2010, quando o sistema de saneamento de um acampamento nepalês vazou no rio Artibonite e espalhou a cólera pelo Haiti, reintroduzindo uma doença controlada desde o século XIX. A entidade internacional recusou o pagamento de reparações às famílias afetadas. Pesquisa conduzida em 2012 pela Universidade de Colúmbia revelou que quase dois terços da população local rejeitava a presença de forças estrangeiras em seu território.

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