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O fim amargo da maior missão de paz da ONU no Caribe: como o Haiti expulsou a MINUSTAH após 13 anos de controvérsias

Presença brasileira marcou operação que deixou legado de 24 mortes, denúncias de abusos e epidemia de cólera antes de encerrar em 2017

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O fim amargo da maior missão de paz da ONU no Caribe: como o Haiti expulsou a MINUSTAH após 13 anos de controvérsias
Imagem: Wikimedia Commons

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, reconhecida pela sigla MINUSTAH, constituiu o mais extenso e debatido capítulo das intervenções de paz da ONU no Caribe. Estabelecida em 10 de setembro de 2004 por resolução do Conselho de Segurança, a força internacional desdobrou-se após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide e a escalada de rebeliões que desestabilizaram a nação caribenha. O Brasil assumiu a liderança militar do destacamento, mobilizando 36.108 militares ao longo de 13 anos — o maior efetivo nacional já empenhado pelo país em uma operação desse tipo.

Um marco simbólico da chegada das tropas foi o chamado Jogo da Paz, disputado em 19 de agosto de 2004 na capital Porto Príncipe. A Seleção Brasileira de Futebol appliqueou os anfitriões por 6 a 0 em um evento articulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sinalizar integração. A tropa, então sob o comando do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, não conseguiu, contudo, manter esse clima de harmonia por muito tempo.

De intervenção militar a crise sanitária: o desgaste da missão

A operação convergiu em uma série de acusações graves. Em 2005, uma incursão no distrito de Cité Soleil provocou a morte de aproximadamente 60 civis pelas mãos de capacetes azuis. O maior escândalo, porém, eclodiu em 2010, quando dejetos de um acampamento nepalês contaminaram o rio Artibonite, reintroduzindo a cólera no país após mais de um século sem registros da enfermidade. A organização negou qualquer responsabilidade civil. Somaram-se a isso relatos de exploração sexual cometidos por militares estrangeiros, aprofundando a crise de legitimidade.

A insatisfação da população ganhou contorno institucional em maio de 2013, quando o Senado do Haiti votou por unanimidade pela retirada dos estrangeiros. O parlamentar Jean Charles Moise sintetizou o sentimento dominante durante uma passagem pelo território brasileiro em 2014, classificando a dinâmica como ocupação e clamando que o país sul-americano trocasse o armamento bélico por apoio agrícola. Pesquisa conduzida pela Universidade de Colúmbia em 2012 já apontava que quase dois terços da população rechaçava a presença externa.

O Conselho de Segurança determinou a desmobilização em 13 de abril de 2017, com a saída total do efetivo bélico concluída em 15 de outubro. O saldo trágico para o lado brasileiro foi de 24 baixas fatais, sendo a maioria decorrente do sismo de 2010 que também vitimou o chefe da missão, o diplomata Hédi Annabi. No lugar da força militar, foi instalada a MINUJUSTH, com mandato restrito ao fortalecimento policial e institucional.

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