O Caos Perfeito: a série da Netflix que divide opiniões sobre Neymar
Documentário de 2022 prometia mergulhar nos bastidores da carreira do craque brasileiro, mas recebeu reações mornas da crítica internacional
Revisado por Otávio Beltrão · Editado por Gabriel Furtado
Em 2022, a Netflix lançou sobre o mundo do futebol uma proposta audaciosa: mergulhar de cabeça na vida de Neymar da Silva Santos Júnior, o jovem nascido em Mogi das Cruzes que se transformou em sinônimo de dribles desconcertantes, gols memoráveis e, também, de polêmicas que ecoam tanto quanto os gritos de torcida nos estádios mais lotados do planeta. A minissérie documental Neymar: O Caos Perfeito prometia rasgar a cortina entre o ídolo e o ser humano por trás da camisa 10.
A trajetória de Neymar já era conhecida pelos amantes do esporte. Estreia profissional pelo Santos em 2009, explosão como adolescente prodígio, conquista da primeira Copa do Brasil da história do clube em 2010 como artilheiro da competição e o feito épico de encerrar uma espera de quase cinco décadas ao levantar a taça da Copa Libertadores em 2011, quando foi eleito o melhor jogador do torneio. A passagem triunfal pelo Barcelona, onde formou o temido trio MSN ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez, rendeu a glória da tríplice coroa na temporada 2014-15. Posteriormente, a contratação pelo Paris Saint-Germain em 2017, viabilizada pelo pagamento de uma multa rescisória sem precedentes na história do esporte, o colocou no centro de um furacão midiático.
O que a série realmente entrega ao espectador
O trailer oficial da produção, divulgado pela Netflix e acompanhado por veículos como o Collider, construiu expectativas de uma narrativa crua e reveladora sobre como Neymar Jr emergiu de toda aquela turbulência para se consolidar como ícone do futebol mundial. A ideia era mostrar não apenas os gols e títulos, mas o preço pago pela fama, as lesões que assombraram sua carreira a partir de 2018 e a pressão insuportável de carregar nos costas os sonhos de uma nação inteira.
Porém, quando finalmente chegou às telas, Neymar: O Caos Perfeito encontrou uma recepção mais fria do que a arquibancada em dia de chuva. A New York Times publicou uma resenha particularmente dura, sugerindo que apenas quinze minutos do documentário funcionavam verdadeiramente, enquanto o restante soava como algo equivalente a assistir Alan Partridge, o personagem britânico símbolo de autoindulgência e falta de autoconsciência. A metáfora não poderia ser mais contundente: onde se esperava profundidade, havia apenas espelho.
A nota de 6.6 no IMDb parece confirmar essa divisão. Para alguns fãs, o prazer de ver cenas inéditas e depoimentos próximos ao astro justifica o tempo investido. Para outros, a sensação foi de oportunidade perdida. O caos prometido no título estava lá, evidentemente, mas a perfeição talvez tenha ficado apenas no marketing. Se a série não conseguiu capturar completamente a dimensão desse fenômeno, talvez isso diga menos sobre os cineastas e mais sobre a própria natureza inabarcável de quem vive, desde os dezoito anos, sob a luz implacável dos holofotes.
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