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Missão da ONU no Haiti: treze anos de operação deixaram legado controverso e profundo

MINUSTAH mobilizou mais de 36 mil militares brasileiros e encerrou em 2017 após acumular denúncias de violência letal, repressão e epidemia de cólera

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Missão da ONU no Haiti: treze anos de operação deixaram legado controverso e profundo
Imagem: Wikimedia Commons

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) representou a mais extensa operação de paz da história da organização. Estabelecida pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em meados de 2004, a iniciativa buscou restaurar a ordem institucional no país após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide. O líder, que deixou o poder sob forte pressão internacional e foi exilado na República Centro-Africana, alegou ter sido vítima de um sequestro articulado por potências estrangeiras. Naquele momento, o cenário caribenho era de extrema instabilidade: facções criminosas dominavam amplas áreas urbanas, enquanto a Polícia Nacional do Haiti dispunha de um efetivo diminuto para conter a violência.

Liderança brasileira e o alto custo da intervenção

Ao aceitar enviar o maior contingente militar entre as nações participantes, o Brasil assumiu o comando da força de estabilização. Ao longo de treze anos, mais de 36 mil militares oriundos do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira passaram pelo território haitiano, incluindo a participação inédita de mulheres em uma operação da ONU. O comando das tropas foi confiado a generais como Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Carlos Alberto dos Santos Cruz, Floriano Peixoto Vieira Neto e Ajax Porto Pinheiro. O preço pago foi elevado: dezenas de soldados perderam a vida, com destaque para as vítimas do terremoto de 2010, que também matou o chefe da missão, Hédi Annabi, e o diplomata Luís Carlos da Costa. Antes da tragédia natural, o general Urano Teixeira da Matta Bacellar foi encontrado morto em Porto Príncipe, com investigações oficiais concluindo por suicídio.

Apesar dos esforços de pacificação, a presença estrangeira acumulou denúncias graves. Operações militares em áreas como Cité Soleil resultaram em dezenas de mortes civis, gerando acusações de uso excessivo da força. A controvérsia mais severa surgiu em 2010, quando o despejo de resíduos de uma base nepalesa contaminou o rio Artibonite e reintroduziu a cólera no país, provocando uma epidemia massiva que a Nações Unidas se recusou a indenizar. Somaram-se a isso relatos de exploração sexual e repressão a manifestações políticas. A insatisfação local culminou em protestos e na rejeição popular à permanência das tropas, levando à substituição da força pela MINUJUSTH em outubro de 2017.

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