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Missão da ONU no Haiti: o legado controverso da maior operação de paz do Brasil

Por 13 anos, tropas brasileiras comandaram a MINUSTAH em uma intervenção marcada por reconstruções e denúncias graves

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Missão da ONU no Haiti: o legado controverso da maior operação de paz do Brasil
Imagem: Wikimedia Commons

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) representou a mais extensa operação de paz conduzida pelo Brasil. Autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU em meados de 2004, a força internacional chegou ao país caribenho em um momento de forte convulsão política e social. A intervenção sucedeu a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide, que deixou o cargo e partiu para o exílio na República Centro-Africana após pressões internacionais e rebeliões armadas. O comando militar da operação foi atribuído ao Brasil por conta de seu contingente expressivo, colocando o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira à frente das tropas iniciais. Ao longo de 13 anos, mais de 36 mil militares brasileiros oriundos do Exército, da Marinha e da Força Aérea passaram pelo território haitiano.

De gestos simbólicos a tragédias irreversíveis

Entre os marcos iniciais da operação destaca-se o chamado Jogo da Paz, uma partida de futebol realizada em agosto de 2004 na capital, Porto Príncipe. O encontro entre as seleções brasileira e haitiana, articulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o aval da FIFA, buscou sinalizar harmonia entre os soldados estrangeiros e a população local. Contudo, a missão acumulou perdas e controvérsias profundas. No início de 2006, o general Urano Teixeira da Matta Bacellar, então no comando das tropas, foi achado sem vida em seu alojamento, com investigações oficiais apontando suicídio. Quatro anos depois, um terremoto de grandes proporções devastou a nação e matou dezoito militares brasileiros, além de ceifar a vida do chefe da missão, o diplomata Hédi Annabi.

Paralelamente, a presença estrangeira gerou crises sanitárias e descontentamento crescente. A epidemia de cólera que se alastrou em 2010 foi associada à contaminação do rio Artibonite por dejetos de uma base de soldados nepaleses, reintroduzindo uma doença que não afetava o Haiti desde o século XIX. A ONU negou-se a compensar os afetados. Com o passar dos anos, a rejeição popular aumentou: um levantamento da Universidade de Colúmbia em 2012 indicou que a maioria dos habitantes era contrária à permanência das tropas, e o senado local aprovou resoluções exigindo a retirada. Denúncias de violência desproporcional em comunidades como Cité Soleil e repressão a protestos políticos mancharam a imagem da força. A operação encerrou suas atividades em outubro de 2017, dando lugar à MINUJUSTH, uma missão voltada ao treinamento da Polícia Nacional do Haiti e ao fortalecimento institucional.

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