Máxima Corretora: a origem oculta do maior escândalo bancário do Brasil
Instituição que deu origem ao Banco Master teve trajetória de crescimento meteórico e queda livre em fraude bilionária
A trajetória do Banco Master começou muito antes de o nome estampar as manchetes policiais. Tudo se originou em 1974, no Rio de Janeiro, com a criação da Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. Após dezesseis anos de atividade, a empresa conseguiu autorização do Banco Central do Brasil para atuar como instituição financeira, surgindo assim o Banco Máxima em 1990. A firma encontrou seu rumo no mercado cerca de uma década depois, ao concentrar esforços no financiamento imobiliário. Esse modelo, contudo, mostrou sua fragilidade em 2016, quando uma severa onda de calotes quase levou a casa bancária à quebra.
A virada veio entre 2018 e 2021, período em que o empresário Daniel Bueno Vorcaro e um grupo de novos investidores injetaram 400 milhões de reais, assumiram o controle e rebatizaram a empresa. A nova fase trocou o foco imobiliário por crédito consignado, seguros e gestão de recursos. O crescimento acelerado culminou na aquisição do Will Bank em fevereiro de 2024, elevando a base de clientes para mais de 10,5 milhões. Em maio do mesmo ano, o banco coordenou uma complexa operação financeira por meio dos fundos Quíron e Tessália, injetando um bilhão de reais na rede de saúde Oncoclínicas, cujo líder Bruno Lemos Ferrari aportou outros 500 milhões com a mesma estruturação. O Goldman Sachs permaneceu como acionista relevante da companhia médica.
De nota elevada à ruína por fraude bilionária
Os indicadores do primeiro semestre de 2024 desenhavam um cenário de prosperidade. A casa encerrou o período com patrimônio líquido de 4,2 bilhões de reais e lucro acima de 500 milhões. Tamanha saúde financeira levou a Fitch Ratings a melhorar a nota da instituição em escala nacional, subindo de BBB para A-. A aparente solidez, porém, encobria um rombo silencioso. Para manter o caixa abastecido, a diretoria fabricava fundos de investimento e carteiras de crédito fantasmas, sem qualquer lastro real, que eram negociados no mercado para simular liquidez. O estrago causado por essa artimanha alcançou 12 bilhões de reais.
O desfecho ocorreu em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, considerada irrecuperável. Na mesma data, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Vorcaro, apontado como mandante do esquema de lavagem de dinheiro. O efeito dominó atingiu em cheio o Will Bank, que teve sua falência decretada em 21 de janeiro de 2026. O colapso do grupo, que empregava 515 pessoas e contava com cerca de 12 milhões de correntistas, encerrou uma história de mais de cinco décadas, manchada por investigações que também passaram a rondar parceiros históricos do mercado, como XP Investimentos e Banco BMG.
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