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Mad Men: a série que reinventou o drama televisivo e ainda hoje define o que é qualidade no streaming

Dez anos após seu fim, a obra-prima de Matthew Weiner retorna às plataformas digitais e reacende o debate sobre o que faz uma série perdurar na memória dos espectadores

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Mad Men: a série que reinventou o drama televisivo e ainda hoje define o que é qualidade no streaming
Imagem: Wikimedia Commons

Há algo de particularmente nostálgico em revisitar Mad Men nos dias de hoje. A série que Matthew Weiner criou quase como um roteiro especulativo em 2000, enquanto ainda trabalhava em Becker, transformou-se na obra-prima que definiu uma era da televisão norte-americana. Quando o primeiro episódio foi ao ar na noite de 19 de julho de 2007 pelo canal AMC, poucos imaginavam que aquele drama sobre publicitários na Madison Avenue dos anos 1960 se tornaria o primeiro programa de basic cable a conquistar o Emmy de melhor série dramática — e que o faria por quatro temporadas consecutivas.

O retorno de uma era que não se apaga

A trama centrada em Don Draper, interpretado por Jon Hamm, mergulhava o espectador num universo de fumaça, uísque e silêncios carregados, onde a publicidade servia de lente para examinar as transformações sociais dos Estados Unidos da década de 1960. O sexismo, o alcoolismo, o tabagismo desenfreado e as tensões raciais não eram meros cenários de época, mas personagens à parte de uma narrativa que se recusava a julgar seu tempo com a moralidade confortável do presente.

Ao longo de sete temporadas e 92 episódios, Mad Men construiu um visual tão meticuloso que chegava a incomodar pela perfeição. Matthew Weiner e sua equipe compilaram volumes de pesquisa histórica para garantir que cada cenário, cada figurino, cada cinzeiro de cristal refletisse com precisão o universo da agência fictícia Sterling Cooper. O resultado foi uma estética que a crítica comparou ao cinema de Alfred Hitchcock, especialmente nas aberturas inspiradas no designer gráfico Saul Bass.

O elenco reunido por Weiner tornou-se quase uma família de repertório do drama televisivo: além de Hamm, Elisabeth Moss, Christina Hendricks, January Jones, John Slattery e Robert Morse criaram personagens cuja complexidade resistia às categorias simplificadas de heróis e vilões. Quando a série encerrou em 17 de maio de 2015, deixou para trás quinze Emmys, quatro Globos de Ouro e uma herança que o próprio Hamm, anos depois, resumiria com ironia sombria: o destino de seu personagem fumante seria, provavelmente, o câncer de pulmão.

Agora, dez anos após seu desfecho, Mad Men retorna às plataformas de streaming para uma nova geração que descobrirá, ou redescobrirá, por que certas histórias resistem ao tempo. Não por nostalgia fácil, mas pela capacidade de fazer o passado falar sobre o presente sem traduzir suas contradições em conforto.

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