Jornal de Beltrão vira fenômeno das redes: o interior paranaense que conquistou a internet sem fazer esforço
Publicação do 'coração do Sudoeste' viraliza ao misturar notícias do cotidiano com absurdos que só a vida real em Francisco Beltrão consegue proporcionar.
Nas terras de Francisco Beltrão, município que ostenta o pomposo título de "coração do Sudoeste do Paraná", nasceu um fenômeno que deixa redações milionárias de big tech babando de inveja. O Jornal de Beltrão, modesto portal de notícias da cidade de 101 mil habitantes, transformou-se em máquina de memes sem nunca ter pedido licença para tanto. Sua receita? Registrar o cotidiano com a mesma intensidade com que o clima subtropical local alterna entre 38°C e -5°C.
A rede adoeceu por manchetes que parecem saídas de um surrealismo tropical: "Beltrão sem chuva e sem sol, neste sábado" — obra-prima da meteorologia existencialista. Ou "Arraiá de Beltrão atrai grande público", notícia que, pela repetição anual, sugere que o arraiá é efetivamente a Coachella do Pinheiro-do-Paraná. O público virtual aplaude o jornalismo que não se envergonha de cobrir o óbvio com a solenidade de cobertura de cúpula do G20.
Quando o trivial vira extraordinário
O segredo do engajamento está na mistura explosiva de assuntos que só fazem sentido em cidades onde a Expobel movimenta 400 mil almas e o Ginásio Arrudão abriga glórias do futsal. Leitores de metrópoles assistem boquiabertos enquanto o JdeB noticia "Alunos fazem visita técnica ao JdeB" — metalinguagem jornalística que o New York Times jamais ousaria. A parceria da ArqDecor com a Feira Casa que Quero ganha manchete com a mesma pompa de fusão bancária.
As reações nas redes oscilam entre o deboche carinhoso e a genuína admiração. Enquanto isso, em Marmeleiro, vizinha de 30 quilômetros, o parmesão brilha em mostra estadual e o Jornal de Beltrão está lá, cobrindo como se fosse o Oscar do leite. A Corrida Laranja, com suas mil vagas disputadas à la Black Friday de tênis de corrida, completa o calendário de eventos que sustentam a ilusão de que Beltrão é, de fato, o centro do universo. E quem somos nós, meros mortais de cidades sem PCH própria, para discordar?
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