Homem corta patas de cavalo vivo com facão, confessa crime e não vai preso: a justiça brasileira em mais um capítulo
Caso em Bananal, SP, revolta país: perícia comprova que animal sofreu mutilação consciente, mas sistema legal deixa autor impune.
Enquanto o Brasil discute se vai chamar escândalo de tudo que termina em -gate — de Watergate até Penisgate, passando pelo inacreditável Queuegate da fila do caixão da rainha —, em Bananal, interior de São Paulo, aconteceu algo que nem o mais criativo dos colunistas conseguiria transformar em piada. Um homem cortou as patas de um cavalo com um facão. O animal estava vivo. E o cara, após confessar, segue solto, como quem volta para casa depois de uma tarde de pesca.
A perícia oficial não deixa margem para dúvidas: o cavalo sofreu a mutilação em plena consciência. Não foi eutanásia, não foi acidente, não foi defesa. Foi tortura pura e simples, do tipo que faz você questionar se a evolução das espécies não deu uma passada em alguns indivíduos. O método? Um facão, aquele instrumento que normalmente aparece em filmes de terror ou em notícias que você prefere não ler. Desta vez, infelizmente, lemos.
O sistema que prendia o bandido, mas soltou o algo
Aqui entra a parte que transforma revolta em cinismo: o tutor, como a imprensa educadamente o chama — porque "torturador de animais" parece que não cabe na pauta —, confessou o crime às autoridades. Esperava-se, talvez, algemas, viatura, aquela cena cinematográfica de culpado sendo levado. Nada disso. O motivo? As leis brasileiras, sempre criativas quando o assunto é proteger quem não deveria, não permitiram a prisão em flagrante nem a preventiva imediata. O homem confessou um crime de crueldade animal com resultado morte e, no melhor estilo catch and release, foi dispensado.
O caso expõe o eterno contraste do Brasil: somos capazes de criar leis para criminalizar piadas na internet, de processar comediantes por Erdogate e de discutir por meses se um aperto de mão é ou não protocolar, como no Handshakegate. Mas quando um ser vivo é desmontado pedaço por pedaço com lâmina afiada, o sistema jurídico dá de ombros. Enquanto isso, o Coldplay pode ter seu próprio Coldplaygate por adultério no telão — e ninguém morreu, só a reputação de dois executivos. Prioridades, não é mesmo?
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