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Hexatombe: Como Cellbit transformou seu RPG em fenômeno social e salvou vidas — literalmente

De enigmas infantis a campanha de doação de sangue: o universo Ordem Paranormal provou que nerdice também pode ser coisa de gente grande.

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Hexatombe: Como Cellbit transformou seu RPG em fenômeno social e salvou vidas — literalmente
Imagem: Wikimedia Commons

Quem acompanha Rafael Lange, vulgo Cellbit, desde os gritos histéricos em vídeos de Minecraft talvez não reconheça mais o rapaz. O menino que forçava risadas para entreter agora força multidões a saírem de casa — não para eventos de cosplay, mas para bancos de sangue. A nova temporada Ordem Paranormal: Hexatombe não é apenas mais um capítulo do RPG mais assistido do Brasil: virou movimento social sem que ninguém precisasse encher o saco com palestrinha motivacional.

A produção, que conta agora com coprodução do Grupo Farol, elevou o patamar cinematográfico das mesas de RPG. Enquanto isso, o termo "Hexatombe" virou trending topic do fim de semana sem depender de algoritmo comprado ou brigada de fãs organizada. O público simplesmente quer falar disso. Nas redes, timelines se transformaram em fóruns improvisados de teorias, fanarts e aquela mistura saudável de obsessão e tédio que só internet brasileira sabe cultivar.

Do d20 ao hemocentro: quando fã-base vira força de trabalho útil

O mais curioso é que, desta vez, o engajamento não parou no virtual. Fãs de Ordem Paranormal foram fisicamente até centros de doação de sangue em peso, movidos por campanha associada à temporada. Finalmente, algo proveitoso saiu de tanto adolescente trancado em quarto escuro jogando dados. A iniciativa rendeu manchetes regionais e até noticiário local se viu obrigado a explicar o que diabos é "Hexatombe" para audiência que ainda acha que RPG é coisa de satanista.

Cellbit, que já transformou financiamento coletivo em R$ 4 milhões para Enigma do Medo e vendeu livro de regras como se fosse best-seller de autoajuda, agora tem em mãos algo que poucos criadores digitais alcançam: relevância cultural fora da bolha. De Florianópolis para São Paulo, de youtuber de gameplay a diretor criativo que movimenta indústrias paralelas — jogos, literatura, audiovisual, saúde pública. O juiz do YouTube de 2016 virou, sem piada fácil, um dos entretenedores mais influentes do país. E dessa vez, ao contrário de boa parte da classe, a influência até serviu para alguma coisa.

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