Gordura vira meme, gera guerra nas redes e divide o país: mocinha ou vilã?
Guia do O Globo tenta pacificar o debate, mas internet já elegeu seus heróis e vilões no prato do brasileiro
A internet brasileira, lugar onde até escolha de cereal vira caso de família, encontrou seu novo front de guerra: a gordura. A jornada Vida Boa, do O Globo, decidiu dedicar uma semana inteira para desvendar se o macronutriente é "mocinha ou vilã" — e o resultado foi o caos que a gente adora. De repente, seu tio do zap virou nutricionista, a vizinha do 301 descobriu que azeite extravirgem cura depressão e o grupo da família virou tribunal para julgar quem botou manteiga no arroz.
O guia, lançado nesta sexta-feira, chega com uma proposta quase utópica: consumir gordura "sem neuras". Só que esqueceram de avisar que o brasileiro vive de neura. A cartilha gratuita para download tenta explicar que o tal nutriente é "fundamental e perigoso ao organismo ao mesmo tempo" — traduzindo: pode comer, mas não exagera, seu animau. A recomendação, claro, foi recebida com a maturidade típica da web: metade dos comentários defendendo a dieta cetogênica como se fosse religião, a outra metade jurando que viu a avó viver até os 120 anos comendo só banha de porco.
Manteiga versus margarina: a guerra que não acaba nunca
Se há um debate que resume a insanidade do brasileiro médio, é este. O quiz do O Globo sobre "manteiga ou margarina: qual é melhor para o coração?" provavelmente causou mais brigas que a final da Copa de 2014. Nas redes, os defensores da manteiga — agora rebatizados de "manteiguinhas" por algum motivo que a ciência ainda não explica — enfrentam os "margarinos", que insistem que o coração agradece a substituição. Especialistas, é bom lembrar, pedem calma. O público, é claro, ofereceu exatamente o oposto.
A jornada de 12 semanas já passou por proteína, ultraprocessados e cafezinho, mas nenhum tema provocou tanta identificação quanto a gordura — afinal, é mais fácil odiar o que tem no próprio prato. A partir de segunda-feira, o foco muda para o álcool, agora eleito "vilão" da dieta. Prevejo que o caos será menor, simplesmente porque ninguém quer admitir que bebe demais. Mas preparem-se: o grupo da família já está se armando com prints de estudos de 2003 para defender a taça de vinho diária.
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