A Corrida do Ouro Líquido: Canetas Emagrecedoras Esvaziam Farmácias e Esticam a Pele
De Curitiba aos palcos, a febre por agonistas de GLP-1 seca estoques, infla o mercado ilegal e prova que emagrecer rápido pode custar caro ao bolso e à estética.
Em Curitiba, encontrar uma caneta de Mounjaro na prateleira de uma farmácia tornou-se uma tarefa árdua. Uma varredura por nove estabelecimentos nos bairros São Francisco, Água Verde e Fazendinha confirmou o cenário: o estoque é zero. O medicamento, originalmente desenhado para controlar a diabetes tipo 2, virou objeto de desejo estético, com doses cotadas a R$ 3,5 mil e vendas restritas a encomendas ou listas de espera. A burocracia da Anvisa, que agora exige receita em duas vias, não conteve a procura; na prática, o maior obstáculo na regularização é simplesmente encontrar o produto nas unidades oficiais.
O Mercado Paralelo e a Ilusão do Fim da Bariátrica
Com a porta da frente trancada, o público busca janelas abertas no TikTok e em rotas vindas do Paraguai. Farmacêuticos relatam que até médicos estão aplicando versões importadas sem o carimbo da vigilância sanitária brasileira. Enquanto isso, o mercado oficial de agonistas de GLP-1 já movimenta bilhões, prometendo ser o carrasco das cirurgias bariátricas. Os números dão uma trégua aos bisturis: as operações caíram 18%, enquanto a procura pelas injeções disparou 88%. Mas cirurgiões como Flávio Panegalli Filho avisam que essa é apenas uma pausa dramática antes do efeito sanfona mandar muitos de volta para a mesa de operação, já que estudos indicam que o peso retorna rapidamente após a interrupção do uso.
A euforia contaminou também o escalão dos famosos. Nomes como Wesley Safadão, Viih Tube, Jojo Todynho e Zé Felipe abraçaram a moda das canetas. Contudo, especialistas plásticos, como Cristian Haesbaert e Raquel Camelo, da CPlástica Brasília, alertam para um detalhe estético que a balança não mostra: a flacidez. Perder 25% do peso em menos de um ano pode deixar a pele pendurada como roupa larga em criança crescida. O veredito é irônico: quem corre atrás do corpo perfeito apenas injetando hormônios provavelmente terminará financiando uma lipoaspiração ou abdominoplastia para recolher o estrago. No fim, o único magro nessa história parece ser apenas o bolso de quem paga a conta.
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