Dorama invade a TV aberta brasileira e fãs perdem o sono: a febre asiática chegou para ficar
De streaming à TV pública, dramas orientais conquistam o Brasil enquanto redes sociais explodem com teorias, elogios e crises existenciais pós-maratonada.
O brasileiro finalmente desistiu de fingir que aguenta mais novela das nove com o mesmo enredo de 1987. Em 2023, a Academia Brasileira de Letras cedeu à pressão da geração Z e incluiu "dorama" no vocabulário oficial — uma obra audiovisual de ficção em série, produzida no leste e sudeste da Ásia. Tradição que remonta ao primeiro drama televisivo japonês em 13 de abril de 1940, pela NHK, agora ocupa espaço nobre no sofá brasileiro. E não é pouco: a TV Brasil estreou recentemente o dorama Rumo ao Maravilhoso, confirmando que a febre migrou do binge-watching solitário para a programação aberta, onde avós podem ser convertidos à força.
Streaming dispara e fãs criam vida paralela em doramas
Enquanto isso, os serviços de streaming alimentam o vício compulsivo. A Netflix mantém o hábito de arrasar corações com produções como My Royal Nemesis — cujo final gerou tanta angústia que sites especializados como o Papo de Dorama surgiram unicamente para explicar o que aconteceu. O Prime Video entrou na briga com See You at Work Tomorrow!, estrelado por Seo In-guk. Até a Disney+ resolveu participar, disponibilizando Twelve para quem achava que a plataforma só servia para heróis de capa.
A obsessão tem método. Fãs brasileiros consomem doramas em temporadas sazonais — inverno, primavera, verão e outono — exatamente como os japoneses desde sempre. A diferença é que agora reclamam no Twitter sobre esperar semana por semana, como se tivessem inventado o sofrimento. Sites como o Cinema Escapist já listam os 11 melhores K-dramas de 2025, enquanto a imprensa internacional — Marie Claire incluída — confessa ter assistido "centenas" em busca dos absolutos imperdíveis.
O sucesso do formato asiático reside na fórmula aperfeiçoada desde o fim dos anos 1980: episódios curtos, finais emocionais e trilhas sonoras de J-pop que fazem o espectador chorar em posição fetal. A Fuji TV é creditada como a "inventora da fórmula", embora seus famigerados getsukus das segundas-feiras às 21h já tenham perdido a majestade de outrora — algo que o público brasileiro, é claro, descobriu décadas depois e achou revolucionário.
A atriz Kim Se Jeong, revelação de Pretendente Surpresa, agora estará em dorama de época, provando que o mercado recicla talentos com eficiência impressionante. E para quem duvidava da seriedade do fenômeno: sim, existem sites inteiros dedicados a explicar que Aprendendo a Lição é inspirado em casos reais que chocaram a Coreia. Porque nada diz entretenimento como trauma coletivo com legenda amarela.
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