Jornalismo

De Máxima a Master: a trajetória de 50 anos que terminou em cadeia e liquidação

Corretora fundada em 1974 virou banco, engoliu fintechs e prometeu revolução — até o dono inventar R$ 12 bilhões na caneta

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A Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários nasceu em 1974, quando o Brasil ainda aprendia a soletrar "mercado financeiro". Em 1990, ganhou as bençãos do Banco Central para virar instituição financeira — e assim surgiu o Banco Máxima, que durante décadas sobreviveu de crédito imobiliário e apuros. Foi em 2018 que a mágica (ou o truque) começou: Daniel Bueno Vorcaro e sócios injetaram R$ 400 milhões, batizaram tudo de Banco Master e prometeram uma nova era de diversificação, consignado, seguros e investimentos.

Do rating A- à prisão em 13 meses

O timing era quase poético. Em outubro de 2024, a Fitch Ratings elevava a nota do Master para A-(bra), com perspectiva estável. O banco ostentava patrimônio de R$ 4,2 bilhões e lucro semestral de R$ 500 milhões. Vorcaro comprou o Will Bank, com seus 6 milhões de clientes nordestinos, e ancopou R$ 1 bilhão em ações da Oncoclínicas através de fundos próprios. Enquanto isso, nas redes, investidores celebravam o "banqueiro visionário" que tinha resgatado uma instituição quase falida desde a crise imobiliária de 2016.

A realidade, descobriu-se, era um pouquinho diferente. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial em 18 de novembro de 2025, quando a Operação Compliance Zero desmontou o esquema: carteiras de crédito e fundos falsos, sem lastro, vendidos para manter a aparência de solidez. O rombo: R$ 12 bilhões. Vorcaro foi preso no mesmo dia. Sete meses depois, em janeiro de 2026, o Will Bank também ia para o vinagre.

A ironia não escapou aos usuários das redes. O homem que transformou uma corretora de quase 50 anos em caso de polícia conseguiu algo raro: unir em indignação investidores sofisticados, correntistas do Will Bank e historiadores do mercado financeiro. Afinal, poucos bancos conseguem ter rating de grau de investimento e fraude de bilhões no mesmo ano fiscal. A lição, se é que existe, ficou para os 515 funcionários demitidos e 12 milhões de clientes: no Brasil, reinvenção bancária às vezes é apenas eufemismo para contabilidade criativa.

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