Cultura pop

Daveigh Chase, voz de Lilo e Samara em 'O Chamado', morre aos 35 anos em circunstâncias trágicas

Atriz que encantou crianças como Lilo e deu pesadelos como Samara falece após desnutrição grave evoluir para meningite e sepse

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Daveigh Chase, voz de Lilo e Samara em 'O Chamado', morre aos 35 anos em circunstâncias trágicas
Imagem: Wikimedia Commons

O cinema de animação e o terror perderam uma voz improvável e inesquecível. Daveigh Chase, a mulher por trás de duas das crianças mais marcantes da cultura pop dos anos 2000 — a adorável Lilo de Lilo & Stitch e a perturbadora Samara Morgan de O Chamado — faleceu aos 35 anos em Los Angeles, deixando fãs e a indústria cinematográfica em estado de perplexidade. A notícia foi confirmada pelo namorado da artista, Roy Hernandez, ao portal TMZ, e rapidamente se espalhou como um incêndio pelas redes sociais, provando que, apesar dos anos de afastamento das telas, Chase nunca deixou de ocupar um cantinho especial na memória coletiva dos espectadores.

Nascida em Las Vegas, no dia 24 de julho de 1990, com o nome de Daveigh Elizabeth Chase-Schwallier, a atriz teve uma infância tipicamente americana em Albany, Oregon, antes de mudar para Los Angeles em 1998 e mergulhar de cabeça no mundo do entretenimento. Foi educada em casa pela mãe, Cathy Annette Chase, após o divórcio dos pais — momento em que adotou o sobrenome Chase, deixando para trás o Schwallier do pai, John David Schwallier. Quem diria que essa menina do interior do Oregon se tornaria, pouco mais de uma década depois, uma das presenças mais versáteis de Hollywood, capaz de alternar entre a doçura de uma garota havaiana e o mal puro encarnado em uma criança fantasmagórica?

De Samantha Darko à fama internacional: a carreira meteórica de Daveigh Chase

A estreia de Chase no cinema aconteceu de forma modesta, com pequenos papéis na televisão, até que Richard Kelly a escolheu para interpretar Samantha Darko em Donnie Darko, filme cult que lançou Jake Gyllenhaal ao estrelato e que, curiosamente, também marcaria o início da trajetória de Chase como especialista em personagens infantis incomuns. Em 2002, veio a consagração em dose dupla: ela foi escalada como voz de Lilo Pelekai no longa de animação da Disney Lilo & Stitch, conquistando um Annie Award de Melhor Dublagem em Cinema no ano seguinte, e também emprestou sua voz para Chihiro Ogino na dublagem americana de A Viagem de Chihiro, obra-prima do Studio Ghibli dirigida por Hayao Miyazaki. No mesmo ano, Chase deu um salto para o lado sombrio da força cinematográfica, encarnando Samara Morgan em O Chamado — papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Vilão no MTV Movie Awards de 2003, derrotando nada menos que Mike Myers, Colin Farrell, Willem Dafoe e Daniel Day-Lewis.

Entre 2006 e 2011, Chase manteve-se ocupada na série Big Love, da HBO, onde interpretou Rhonda Volmer, adolescente sociopata criada em família polígama — mais uma criança problemática para sua coleção de personagens inquietantes. Em 2009, retornou como Samantha Darko em S. Darko, sequência de Donnie Darko que poucos lembram com carinho, mas que representava, naquele momento, uma carreira aparentemente estável. A atriz também tentou os caminhos da música, com uma carreira musical entre 1999 e 2011 que incluía country, pop, rock e folk, gravando pelas Universal Records, Hip-O Records e Walt Disney Records. No entanto, a partir de 2016, as aparições de Chase nos créditos de filmes e séries cessaram completamente, como se a personagem real tivesse decidido desaparecer tão misteriosamente quanto Samara no poço.

O silêncio profissional de Chase, como bem documentou a Wikipédia, não ocorreu por acaso. A atriz enfrentou uma série de problemas com a lei, incluindo prisão por direção perigosa e crimes relacionados a drogas, episódios que certamente não ajudaram em sua já delicada relação com a indústria. O que ninguém imaginava era que, por trás dos titulares sensacionalistas sobre prisões e escândalos, havia uma mulher em frangalhos, cuja saúde se deteriorava de forma silenciosa e brutal. A morte de Chase, ocorrida no dia 16 de junho de 2026, segundo a CNN e confirmada por múltiplas fontes, foi o desfecho trágico de uma queda de saúde vertiginosa: internada inicialmente por desnutrição, a atriz desenvolveu meningite bacteriana e uma infecção sanguínea grave que evoluiu para sepse, culminando em falência múltipla de órgãos.

A ironha cruel do destino não passou despercebida: a menina que deu voz a Lilo, personagem cuja história gira em torno do conceito havaiano de ohana — família, onde ninguém fica para trás —, parece ter enfrentado seus últimos anos em condições de isolamento e vulnerabilidade alarmantes. A controvérsia em torno de uma campanha de GoFundMe organizada supostamente por Hernandez, seu namorado, adicionou uma camada extra de tristeza ao caso, com o ex-gerente de Chase implorando ao público que não doasse, alegando que o dinheiro não seria destinado a despesas relacionadas à atriz. É quase como se o mundo, tão rápido em aplaudir crianças prodígio, se mostrasse igualmente veloz em abandoná-las quando a ficha cai e a realidade adulta se impõe com toda sua ferocidade.

"A grande chance de Chase veio em 2002, quando ela ganhou o papel principal como a voz de uma garota havaiana, Lilo Pelekai, no filme de animação da Disney Lilo & Stitch."

Daveigh Chase deixa um legado artístico peculiar, marcado por personagens infantis que existiam nos extremos do espectro emocional — da pureza inocente ao horror primordial. Que sua passagem sirva, no mínimo, como um lembrete incômodo de que as vozes que nos acompanham na infância também precisam de cuidado, atenção e, quem sabe, um pouco daquele espírito de ohana que ela mesma ajudou a popularizar.

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