Jornalismo

Da Máxima ao fiasco: herdeira do Banco Master virou estrela das redes ao custo de 12 bilhões

Enquanto Daniel Vorcaro ostentava crescimento astronômico nas redes, a Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários — matriz do império — engatava a maior fraude bancária do ano nas costas de milhões de clientes.

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O brasileiro tem um talento nato para transformar tragédia em meme, e o caso do Banco Master não poderia ser exceção. Enquanto Daniel Bueno Vorcaro posava de banqueiro visionário nas redes sociais — aquele mesmo que prometeu revolucionar o varejo financeiro —, a velha Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, fundada em 1974, fungia quietinha no porão da história. Era dela, afinal, que tudo tinha começado: a corretora que virou banco em 1990, que quase afundou na crise imobiliária de 2016, que renasceu como Banco Master em 2018 com aportes de 400 milhões e um rebranding digno de agência de publicidade. Pois bem. Sete anos depois, o show acabou. E o público aplaudiu — só que de forma irônica, claro.

Do pedigree à prisão: a jornada que as redes não perdoam

A internet, essa auditório implacável, não demorou a conectar os pontos. "Cresceu 2.123% em ativos e esqueceu de crescer em ética", resumiu um usuário no Twitter, ecoando dados que mostravam o estouro meteórico da instituição sob o comando de Vorcaro. Outros foram menos gentis: "A Máxima Corretora sobreviveu à ditadura, ao Plano Collor, à crise de 2008, mas não resistiu ao Daniel Visionário". A ironia é que, em outubro de 2024, a Fitch Ratings ainda havia elevado o rating do banco para A-(bra), como quem aplaude um malabarista prestes a derrubar as bolas. O público, agora mais atento, questiona: onde estavam os agiotas de terno, digo, os analistas de risco?

A Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025, expôs o truque de mágica: carteiras de crédito fictícias, CDBs sem lastro, fundos de investimento que eram, na verdade, fundos de ilusão. Doze bilhões de reais evaporaram — ou melhor, foram parar em destinos que a Polícia Federal ainda mapeia. A consequência imediata foi a liquidação extrajudicial do banco e a prisão de Vorcaro, enquanto 515 empregados e 12 milhões de clientes aprendiam na prática que "inovação disruptiva", no jargão startup, às vezes significa apenas "fraude bem embalada".

Nas redes, a pergunta que não quer calar: se a Máxima Corretora demorou 44 anos para virar banco, por que o Banco Master precisou de apenas sete para virar poeira?

A repercussão não poupa nem os cúmplices de conveniência. A aquisição do Will Bank, anunciada com pompa em fevereiro de 2024 como expansão para 10,5 milhões de clientes, hoje lê-se como capítulo de horror: o banco digital foi liquidado em janeiro de 2026, arrastado pela mesma âncora. As operações com a Oncoclínicas, que renderam participação de 11%, agora parecem peças de um museu de arrogância financeira. E o Goldman Sachs, com seus 36% na rede de saúde, queixa-se em silêncio de ter dividido palco com artistas de quinta categoria. Nas redes, o consenso é quase unânime: a Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários merecia um destino melhor do que servir de porta-malas para uma fraude de 12 bilhões. Mas, como diria o público — esse que Vorcaro tanto cultivou e tanto enganou —, "faz o L de laranja, que é a cor da cadeia".

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