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Banco Master é liquidado e dono preso: a queda de uma instituição que chegou a valer bilhões

Daniel Bueno Vorcaro foi detido na Operação Compliance Zero por lavagem de dinheiro; banco teve trajetória de expansão meteórica antes do colapso.

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O Banco Master, instituição financeira que chegou a acumular patrimônio líquido de 4,2 bilhões de reais e lucro superior a 500 milhões no primeiro semestre de 2024, viu sua trajetória de expansão transformar-se em colapso total. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição com sede em São Paulo, selando o fim de uma história que começou há mais de meio século.

A instituição nasceu em 1970 sob o nome de Banco Máxima, fruto da evolução da Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, fundada quatro anos antes. Somente em 1990 a empresa obteve autorização do Banco Central para operar como instituição financeira propriamente dita. A virada decisiva, no entanto, ocorreu entre 2018 e 2021, quando passou por completa reformulação societária, recebeu aportes de 400 milhões de reais e adotou a marca Banco Master. Sob o comando de Daniel Bueno Vorcaro, o banco diversificou operações, abandonando gradualmente o foco em crédito imobiliário que quase levou a instituição à falência em 2016.

Expansão meteórica e operações milionárias

A nova gestão promoveu mudanças radicais. Além de crédito consignado e crédito pessoal, o banco passou a oferecer serviços financeiros, seguros e operar como banco de investimentos. Em fevereiro de 2024, o Banco Master anunciou a aquisição da participação majoritária do Will Bank, instituição digital com mais de 6 milhões de clientes concentrados principalmente no Nordeste brasileiro. A operação, cujo valor não foi revelado, expandiu a base de pessoas físicas para mais de 10,5 milhões em todo o território nacional. Três meses depois, em maio de 2024, o banco estruturou operação ainda mais audaciosa. Por meio dos fundos de investimento Quíron e Tessália, subscreveu 1 bilhão de reais em novas ações da Oncoclínicas, rede especializada em tratamento de câncer. Os fundos passaram a deter 12% da companhia, enquanto o CEO e fundador da empresa de saúde complementou o aumento de capital com outros 500 milhões de reais. Paralelamente, a agência Fitch Ratings havia elevado o rating nacional da instituição de BBB (bra) para A-(bra) em outubro de 2024, mantendo classificação B+ em escala global com perspectiva estável.

A fachada de solidez, porém, escondia operações ilícitas que vieram à tona com a Operação Compliance Zero. Daniel Bueno Vorcaro foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro, desencadeando a liquidação da instituição. A investigação, conduzida pela Polícia Federal, apontou supostos benefícios concedidos a figuras políticas em troca de favorecimento institucional. O senador Jaques Wagner, aliado histórico do presidente Lula, tornou-se alvo central dos apontamentos, embora negue ter recebido repasses diretos do banco. Segundo investigadores, Wagner teria sido beneficiado com intermediação para compra de imóvel e outros favores, com Augusto Lima atuando como elo entre o político e a instituição financeira. Reportagens da Folha de S.Paulo, Reuters, G1 e Bloomberg detalharam como o escândalo se amplia, revelando supostos recebimentos de apartamento e ingressos por parte do aliado presidencial. A Gazeta do Povo classificou o caso como berço do escândalo, indicando que as revelações envolvendo Wagner representam apenas a ponta do iceberg de irregularidades atribuídas ao Banco Master.

Com 515 empregados na época de seu encerramento, o banco que sobreviveu à crise imobiliária de 2016 e se reinventou como protagonista do setor financeiro brasileiro encerra suas atividades sob intervenção do Banco Central. A queda serve como alerta sobre os limites da expansão desmedida e dos riscos sistêmicos quando instituições de grande porte combinam crescimento acelerado com práticas de governança questionáveis.

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