Jornalismo

A trajetória dos recordes de audiência no YouTube e a hegemonia dos videoclipes

De vídeos caseiros a superproduções musicais bilionárias, a evolução da plataforma reflete a profissionalização do conteúdo digital e o interesse do marketing global.

Revisado por Henrique Salles · Editado por Vinícius Castro

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A trajetória dos recordes de audiência no YouTube e a hegemonia dos videoclipes
Imagem: Wikimedia Commons

A trajetória do YouTube reflete a própria transformação do consumo audiovisual na internet. Criada em fevereiro de 2005 por Steve Chen, Chad Hurley e Jawed Karim na cidade de San Bruno, Califórnia, a plataforma estreou com um arquivo amador e despretensioso. O registro Me at the zoo, enviado por Karim em abril do mesmo ano, mostrava elefantes e marcou o início de um portal que se tornaria referência global. O primeiro conteúdo a chamar atenção pelo volume de acessos foi um comercial da Nike estrelado pelo craque Ronaldinho, que alcançou um milhão de visualizações em novembro de 2005, antecipando o potencial publicitário e cultural do novo meio.

O perfil do conteúdo mais consumido, no entanto, mudou drasticamente com o passar dos anos. Os primeiros recordistas de audiência eram fenômenos orgânicos da cultura de internet, como Evolution of Dance e o viral Charlie Bit My Finger. Contudo, a partir do sucesso de Bad Romance, da cantora Lady Gaga, os vídeos com mais visualizações no mundo passaram a ser, sem exceção, videoclipes musicais. Essa virada transformou a ferramenta amadora em um espaço de visibilidade estratégica para a indústria fonográfica, atraindo o olhar atento de profissionais de marketing digital que enxergaram na plataforma um termômetro do comportamento do público global.

A corrida pelos bilhões de visualizações

O chamado clube do bilhão, que reúne vídeos com mais de um bilhão de visualizações, tornou-se a principal métrica de sucesso da plataforma. O sul-coreano Psy inaugurou essa lista em dezembro de 2012 com Gangnam Style. Até junho de 2015, apenas Baby, de Justin Bieber, havia igualado o feito. A expansão, porém, foi veloz: em outubro de 2015 já eram dez vídeos, saltando para cem em fevereiro de 2018. Com a popularização da marca, a obsessão do mercado e dos fãs migrou para patamares ainda mais altos. Em maio de 2014, o próprio Gangnam Style cruzou a barreira dos dois bilhões.

A consolidação dessa era musical de audiência massiva teve seu ápice com Despacito, de Luis Fonsi. A canção tornou-se o primeiro vídeo a atingir três bilhões de visualizações em agosto de 2017, alcançando quatro bilhões em outubro do mesmo ano, cinco bilhões em abril de 2018 e seis bilhões em fevereiro de 2019. Os dados de dezembro de 2022 apontavam o clipe como o segundo mais visto da história, acumulando mais de 8,20 bilhões de acessos. A velocidade dessas marcas também impressiona: Hello, de Adele, demorou apenas 87 dias para atingir o primeiro bilhão, seguida por Despacito, com 96 dias, e Shape of You, de Ed Sheeran, com 97 dias. O segundo bilhão de Despacito veio em 154 dias, enquanto Girls Like You, do Maroon 5, levou 293 dias.

O fenômeno dos bilhões também alcançou produções anteriores à própria existência da plataforma. November Rain, do Guns N' Roses, foi o primeiro vídeo pré-YouTube a cruzar o bilhão, em julho de 2018. O sucesso se estendeu a outras décadas: Numb, do Linkin Park, representou os anos 2000 em novembro de 2018; Bohemian Rhapsody, do Queen, trouxe os anos 1970 à lista em julho de 2019; e Sweet Child o' Mine, novamente dos Guns N' Roses, somou-se aos anos 1980 em outubro de 2019. O caso mais curioso da lista, no entanto, é Baby Shark Dance, que ultrapassou cinco bilhões em abril de 2020 e seis bilhões em julho do mesmo ano, acumulando mais visualizações do que a população mundial, consolidando o conteúdo infantil como potência inquestionável no algoritmo da plataforma.

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