A internet decidiu: missão de paz no Haiti virou piada... e pesadelo
De Jogo da Paz a memes de tanque, redes revisitam a MINUSTAH e não perdoam nem o Brasil, nem a ONU.
Ah, a MINUSTAH. Parece nome de remédio para azia, mas é só a missão de paz da ONU no Haiti que durou treze anos, consumiu toneladas de dinheiro e deixou um rastro de memes tão quanto de controvérsias. Nas redes, o assunto ressurge periodicamente como aquele tio que conta a mesma piada em todo churrasco: metade ri por obrigação, metade quer fugir.
O ponto alto da "simpatia" brasileira — pelo menos no imaginário coletivo da internet — foi o tal Jogo da Paz de 2004. O Brasil venceu por 6 a 0, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a goleada em gesto diplomático. Nas redes, o povo haitiano fazendo festa apesar do placar virou símbolo de resignação caribenha ou, dependendo do humor do internauta, prova de que paz se constrói com gols — só que não. A CBF e o próprio Exército ainda reverenciam o episódio, o que rende comentários do tipo: "Belo marketing, hein, só faltou avisar que depois vinham os tanques".
De heróis a vilões em poucos tuítes
A memória virtual, porém, tem filtro de rosa só para o futebol. Quando o algoritmo resolve mostrar o resto, a timeline vira festival de indignação. A invasão de Cité Soleil em 2005, com cerca de 60 mortos? Check. A epidemia de cólera de 2010, originada de esgotos de uma base nepalesa? Check. A recusa da ONU em indenizar as vítimas? Double check. Usuários não perdoam: "Missão de paz que mata mais que salva é só ocupação com feed bonito", resume um post viral. Outro completa: "O Brasil foi lá 'estabilizar', estabilizou a miséria".
O senador haitiano Jean Charles Moise virou figura quase cultuada em certas bolhas progressistas desde que pediu, em 2014, que o Brasil trocasse "tanques de guerra por tratores agrícolas". A frase, reproduzida ad nauseam, hoje serve tanto como crítica à militarização quanto como meme para ironizar a produção agrícola brasileira. Já o general Carlos Alberto dos Santos Cruz — futuro ministro de Bolsonaro, lembram os mais atentos — aparece em threads sobre "para onde vão os comandantes de missões questionáveis". Spoiler: para cargos políticos, evidentemente.
O encontro recente entre Lula e o primeiro-ministro haitiano em Nova York reaqueceu o debate. Parte da web aplaudiu a continuidade das relações; outra, não tão sutil, perguntou se haveria revanche — desta vez, quem sabe, com os haitianos vencendo nos memes. Porque no campo real da estabilidade, admitam, ninguém mais aposta.
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