A ascensão surpreendente de Raphinha: de rejeitado por baixa estatura a estrela do Barcelona e do Brasil
Antes dos holofotes na Espanha, o ponta enfrentou humilhação em base paulista, pensou em abandonar o esporte e lidou com dificuldades específicas na família. Conheça os bastidores da carreira.
Revisado por Henrique Salles · Editado por Vinícius Castro
O nome de Raphinha ecoa hoje nos estádios mais prestigiados do planeta. Atleta do Barcelona e peça da seleção brasileira, o ponta de 29 anos consolidou-se como um dos jogadores mais valorizados da atualidade. Por trás dos gols e assistências, existe uma trajetória marcada por rejeições, humilhações e momentos de dúvida que poucos conhecem.
A história começa nos campos de várzea de Porto Alegre, onde Raphael Dias Belloli — nome de batismo do jogador — disputava torneios municipais desde criança. Quem acompanhava o garoto já enxergava algo diferente. O presidente do Cobal, equipe varzeana que o atleta integrou na infância, notou que o talento sobrava no meio dos outros meninos. A qualidade técnica, no entanto, contrastava com dificuldades estruturais enormes: o brasileiro precisava manter boas notas para continuar no projeto social da equipe Udinese FC, liderada por seu primo, mas não conseguia cumprir esse requisito.
De rejeitado em Gigantes da Várzea a quase desistente em São Paulo
A primeira grande porta que se fechou veio justamente onde se esperava abertura. Raphinha tentou ingressar nas categorias de base do Internacional, sem sucesso. Conseguiu, posteriormente, integrar um projeto pilotado por Ronaldinho Gaúcho que lhe permitiu treinar por um ano no Grêmio. A permanência não vingou: em ambos os casos, a baixa estatura e o pouco peso corporal funcionaram como sentenças. No Tricolor, a família do atleta enfrentava dificuldades para passar o mês. Preterido, o jovem migrou para o Porto Alegre, clube da família Assis Moreira, onde permaneceu até o encerramento das divisões de base.
O que se seguiu foi um período de oscilação entre times de várzea até que, aos 16 anos, um empresário o levou para o Audax, de São Paulo. Longe de representar a redenção, a passagem pelo Sudeste quase selou o fim da carreira. Raphinha sofreu uma grave lesão no tornozelo, que chegou a inchar até o tamanho do joelho. O treinador do clube desconsiderava a gravidade do problema e fazia comentários humilhantes, dizendo que o garoto ocupava o lugar de paulistas. A situação era tão insustentível que o atleta chegou a telefonar chorando para casa, manifestando vontade de parar. A família, em diálogo com a psicóloga do clube, precisou intervir para que ele não abandonasse definitivamente o esporte.
A superação dessa fase inaugurou a escalada meteórica. Do Vitória de Guimarães, de Portugal, ao Sporting, depois Rennes, Leeds United e, enfim, o Barcelona, Raphinha acumulou números expressivos: 422 partidas e 134 gols em clubes, além de 40 jogos e 11 gols pela seleção brasileira. A trajetória, porém, não o isolou das turbulências contemporâneas do futebol. Recentemente, sua esposa expôs nas redes sociais mensagens ofensivas recebidas, desabafando sobre os ataques que acompanham a exposição pública. Ronaldo, ex-atacante e duas vezes campeão mundial, questionou publicamente as decisões táticas de Carlo Ancelotti durante empate nervoso contra o Marrocos, sugerindo que o treinador utiliza Raphinha de forma equivocada. A declaração contrapõe-se à postura do comandante italiano, que em entrevista à Rádio Itatiaia verteu confiança e classificou o brasileiro como um dos melhores do mundo. Fora das discussões técnicas, o ponta mantém conexão com a leveza que precedeu a fama: durante concentração da seleção em Filadélfia, foi flagrado ao lado de Endrick, Vini Jr e Danilo interagindo com torcedores na chegada ao hotel, cena que viralizou e reforçou a imagem de grupo unido.
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