Wim Wenders defende liberdade do documentário em Cannes
Diretor alemão apresenta duas obras no festival e aponta riscos e vantagens da não ficção frente às fórmulas da ficção.
O cineasta alemão Wim Wenders marcou presença no Festival de Cannes com uma reflexão sobre os limites criativos do cinema. Quase quatro décadas após vencer a Palma de Ouro, o diretor afirmou que o documentário oferece maior liberdade artística e assume mais riscos do que o cinema de ficção, que muitas vezes segue receitas repetitivas. Wenders não vê necessidade de escolher entre os gêneros, apresentando simultaneamente obras de ambas as naturezas no evento francês, mas ressalta que a não ficção permite trabalhar sem as fórmulas estabelecidas da narrativa tradicional.
Experimentação técnica e reconhecimento de mercado
Exibido fora da competição oficial, Anselm é descrito pelo próprio autor como um filme experimental dedicado ao artista Anselm Kiefer. Para capturar a monumentalidade das obras do compatriota, Wenders recorreu à tecnologia 3D, mesma abordagem utilizada anteriormente em seu tributo à coreógrafa Pina Bausch. Segundo ele, esse recurso funciona como um meio de imersão essencial, aproximando o espectador da emoção e permitindo uma compreensão visceral das peças em relevo. Enquanto isso, sua obra de ficção Perfect Days, rodada no Japão, disputa o principal prêmio do certame.
O veterano diretor observa uma mudança de paradigma nos grandes eventos cinematográficos, citando recentes vitórias de documentários nos festivais de Veneza e Berlim, além da inclusão de longas do gênero na competição de Cannes. Apesar do otimismo com a nova linguagem, Wenders mantém ceticismo quanto a ferramentas como a realidade virtual, classificando-as como meios de exibição que não contam histórias. Ele também alertou que, embora prepare uma ficção científica envolvendo inteligência artificial, não tem interesse em usar tal recurso apenas como um meio técnico vazio, priorizando sempre a narrativa.
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