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PF investiga fraude de R$ 670 mi no Banco Digimais, controlado por Edir Macedo

Operação Miragem cumpre mandados em São Paulo e aponta manipulação de balanços para inflar ativos e ocultar prejuízos

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PF investiga fraude de R$ 670 mi no Banco Digimais, controlado por Edir Macedo
Imagem: upi.com

A Polícia Federal não parece disposta a aceitar milagres contábeis, mas a escrituração do Banco Digimais tentou convencer o contrário com uma criatividade que desafia a lógica econômica. Na terça-feira, a Operação Miragem cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, desmontando um esquema que transformou a realidade financeira em ficção. O alvo é uma suposta gestão fraudulenta que manipulou balanços para ocultar a deterioração da carteira de crédito, resultando no bloqueio de R$ 670,3 milhões em ativos. A instituição, controlada pelo bispo Edir Macedo, é acusada de projetar uma solvência que, segundo os investigadores, jamais existiu fora do papel.

PF investiga fraudes no Banco Digimais de Edir Macedo
O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus — Foto: Reprodução / Facebook

A mágica de transformar R$ 71 milhões em R$ 741 milhões

Segundo o relatório da PF, a diretoria do banco especializou-se na arte de inflar patrimônios. Cotas de fundos, adquiridas por um custo real de R$ 71 milhões referentes a direitos creditórios de uma ação da família Villela contra a União, foram reavaliadas sucessivamente até atingirem a marca de R$ 741,348 milhões nos balanços. Mesmo após o Banco Central identificar a irregularidade e exigir correções, o banco realizou uma venda dessas cotas supervalorizadas para sua própria controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações. A operação foi feita a prazo, sem entrada de recursos no caixa, mantendo a ilusão de riqueza na contabilidade enquanto ignorava as regras do Conselho Monetário Nacional.

PF investiga fraudes no Banco Digimais de Edir Macedo
oglobo.globo.com

O relatório policial traça paralelos ácidos com o caso do extinto Banco Master: captar recursos do público oferecendo CDBs com rentabilidade acima de 110% do CDI, usando o Fundo Garantidor de Créditos como isca, enquanto escondia ativos podres. Entre as "joias" encontradas no balanço estavam títulos antigos da Vale precificados em R$ 650 milhões e um terreno em Pernambuco avaliado em R$ 150 milhões, quando o mercado sugeriria menos de R$ 10 milhões. Enquanto João Urbaneja e seu filho Thiago Urbaneja tiveram suas residências visitadas pelos agentes, o controlador principal observa de fora do país, onde reside atualmente, escapando por enquanto dos mandados de busca.

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