Política

Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e alerta para o retorno da 'lei do mais forte'

Em nota ácida, presidente brasileiro classifica ação americana como violação do direito internacional; enquanto isso, o Itamaraty corre contra o tempo e a fronteira em Roraima recebe reforços militares.

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Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e alerta para o retorno da 'lei do mais forte'
Imagem: Presidente Lula condenou a ação de Donald Trump na Venezuela

O presidente Lula não economizou na ironia fina ao classificar os recentes bombardeios e a captura do líder venezuelano pelos Estados Unidos como uma "afronta gravíssima" à soberania alheia. Em nota oficial divulgada por volta das dez da manhã, o mandatário evitou citar nominalmente Donald Trump ou Nicolás Maduro — talvez para preservar a diplomacia enquanto o mundo parece desabar —, mas deixou claro que tais atos ultrapassam qualquer linha aceitável de civilidade. Segundo ele, atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para transformar o globo num ambiente de caos onde prevalece a lei do mais forte, numa crítica direta ao multilateralismo que, aparentemente, tirou férias sem aviso prévio.

Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e alerta para o retorno da 'lei do mais forte'
Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e fala em violação do direito internacional — Foto: TV Globo

Itamaraty em emergência e fronteira blindada

Enquanto a caneta presidencial secava a tinta da condenação, a máquina estatal entrava em modo de sobrevivência no Palácio do Itamaraty. Lula e o chanceler Mauro Vieira, que curtiam uma folga fora de Brasília, tiveram que se conectar por videoconferência para dimensionar a extensão da ofensiva americana. A preocupação transbordou para a linha de fronteira: o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou que duzentos militares estão de plantão em Pacaraima, em Roraima, com outros dois mil de prontidão no estado, reforçando os dez mil que já patrulham a Amazônia. A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, tratou de informar que nenhum brasileiro foi atingido e que os turistas podem deixar a Venezuela sem obstáculos, embora a crise crônica já tenha forçado o Brasil a emitir mais de seiscentas mil autorizações de residência para vizinhos desde 2017.

Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e alerta para o retorno da 'lei do mais forte'
2 fuertes terremotos sacuden Venezuela, provocando el derrumbe de edificios y viviendas en Caracas

A situação carrega uma ironia histórica digna de roteiro: quando retornou ao poder em 2023, Lula restaurou as relações com a Venezuela após o rompimento ocorrido na gestão de Jair Bolsonaro, mas o romance esfriou consideravelmente após as eleições venezuelanas de 2024, quando o governo brasileiro não reconheceu a vitória de Maduro, apontada como fraudulenta por observadores internacionais. Agora, o Brasil condena a invasão americana sem fazer apologia ao regime de Caracas, num equilíbrio que a especialista Carolina Pavese classificou como cauteloso, porém assertivo. O país seguirá tentando preservar o diálogo com Trump, mesmo enquanto define posições para participar de reuniões do Conselho de Segurança da ONU e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, provando que, na geopolítica, a coerência é a única moeda que não desvaloriza.

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